quarta-feira, 25 de julho de 2007

Devaneio.

Tudo começou no inverno rigoroso daquela cidade. Era tudo calmo e branco.. não havia o colorido das árvores nem o céu brilhava intenso como nos outros lugares. Ao chegar, dei-me, primeiramente, com a aversão daquelas qualidades absurdas na natureza. A chuva, então, pos-se a cair sobre todo aquele território e dando-me boas vindas. Desci do carro e fiquei numa praça a esperar a minha grande amiga vir me orientar onde destinava sua casa. Seria um fim de semana atípico e com muito frio. Algo extático no tempo e espaço. Sentei-me no banco e fiquei alguns minutos fitando tudo ao meu redor. Não havia muita gente, os que passavam por lá era rápidos na caminhada por causa da chuva. Meu guarda chuva estava ensopado de tanta água que descia e fazia como que uma cascata pequena. Uma crise de frio veio-me assustar. Um vento gélido fez-me realmente atinar para o mundo ao meu redor, pois eu estava tão absorto naquele procedimento, que, ficava olhando cada segundo dado por cada um que passava a minha frente. Isso me deixava na pura inércia e trazia um bem para mim.. e não sei se o bem era a neutralidade que aparentemente se assomava dentro de mim. Quando olhei de longe, vi minha amiga buzinar num carro escuro e com um porte elegante. Nesse momento fui até o carro e olhei - não sei o porquê- para o chão, algo me chamava. Não sabia o que nele continha, mas a chuva que caía sobre mim fazia com que eu resgatasse alguma coisa... E pensei ser naquele solo, naquela cìtta, que eu iria fazer emergir ou aparecer, até então, aquilo que eu nem mesmo sabia. Não mais fiquei a compreender o incompreensível, fui logo ligando o carro e seguindo minha amiga. Andamos e passamos por vários lugares, muitas pessoas encobertadas com roupas, casacos, e outros. Olhei como se aquilo tudo fosse triste, e pensei se era tão triste como previa!
Depois de andarmos muito, passarmos várias avenidas, chegamos ao apartamento que se situava numa rua muito bem proporcional à tudo. Era como se aquele lugar fosse o centro, que de lá avistasse tudo e todos. Um olho gigante que sempre vigiava a cidade. Colocamos o carro na garagem e ao descer dei um forte abraço na minha amiga que a longas datas compartilhou comigo tantas felicidades. Era o momento único, um momento destinado a ser mais uma felicidade no meu livro do amor. Fazia tempo que não a via, isso me fortalecia a cada tempo que se escorria no tiquetaquear do relógio. Era uma fonte que eu me renovava, conversas, conselhos, amores, devaneios e até desilusões. Ela perguntou-me como foi a viagem e disse-lhe que só para ter aquele momento único donde encontrá-la-ia, já me era suficiente. Ela levou-me logo para o meu quarto, onde eu refugiaria naqueles dias. Após essa apresentação rápida da casa, fui ao carro tirar minhas malas. Era muita emoção para mim estar naquela presença e naquele lugar, embora frio, mas apenas o estado de estar com minha amiga e na casa dela naquela cidade já me aquecia profundamente. Ao tirar minha mala e colocá-la no quarto, fui despindo-me para tomar uma ducha e esquentar-me ainda mais. Ela marcara comigo para sair, logo após eu terminar o banho. Fiquei apreensivo para saber o que tanto tinha me tocado naquela cidade. Joguei minha roupa no chão e senti o frio bater no meu corpo quente e desnudo. Liguei a ducha e deixei aquela água quente e agradável cair sobre mim.. Pensei na viagem, pensei na vida, pensei no que tanto me aturdia agora. Era uma sensação predestinada.. ou até premeditada.. Era alguma coisa que estava me procurando, ou eu devia procurar.. Não sabia dizer ao certo o que era aquilo, mas sabia perfeitamente que a cada pensar já me dava uma certa apreensão que me deixava nervoso..Pensei, portanto, que não pensar, seria, pois, a forma mais útil para não me conturbar com aquilo. Ao término do banho tive uma certa meditação e tentei esquecer aquilo que me aturdia, consegui por aqueles instantes e pensei em diversas coisas.. A toalha a roçar meu corpo me deu um certo desejo, mas este foi dissipado quando minha amiga bateu na porta do quarto - e escutei, pois o banheiro deixei com a porta aberta para se acontecesse dela bater - e me chamou para sair, antes, perguntando se eu estava pronto. Respondi que estava, e fui logo me trocando. Havia algo que me fazia apressar, de novo aquele apelo para concretizar algo que ainda não estava compreendido. Vesti-me e abri a porta dizendo:
- Estou pronto, Gisele.
- Vamos, então - Ela respondeu.

Um comentário:

Jose Hyrlleson disse...

Já li tudo e o que vi foi de meu agrado!
Não estou aqui enxendo o seu saco o vulgarmente dizendo, babando o seu ovo.
Mas, você me indicou o blog e o li!
Interessante é a palavra que defino isso tudo que eu passei nessa hora, tentando conhecer um lado seu que ainda era misterioso!
Se deixou de ser eu não sei, mas o que entendo agora é que um dos meus grandes amigos tem um dom magnifíco de escrever e que está no caminho certo!!
Quem sou eu para fazer uma critíca sua!
Porém, até agora achei muito empolgante seu blog!
Deu-me mais vontade de lê-lo.
Até a próxima!
Forte abraço!

Quem sou eu

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Nasci em Recife, mas logo fui morar na cidade da Vitória de Santo Antão. Hoje, aqui, sinto que é uma particularidade íntima. Esse meu viver, minhas afinidades com essa cidade, transporta-me a outros mundos.''Sou a fusão do adulto maduro e o menino tenro''. ''Cogito ergo sum'' Escrevo desde os 16 anos e descobri na escrita um pedaço de mim, uma ânsia ardente e gostosa. Não reviso meus textos. Escrevo contos, romances, novelas etc.