sábado, 14 de julho de 2007

Florescer


Eu não sabia do facto que ocorrera na noite em que recorreu-me. Estava um tanto inquieto e de tamnha apreensão, não sabia o que acontecia comigo pois acordava várias vezes na noite. Juntamente a isso, tive várias sonhos/pesadelos mas nunca o que me aturdia. Hoje - e o mesmo dia em que tudo aconteceu, pois passei a dormir depois de findar o dia anterior - recebi a notícia que me deixou drásticamente depressivo. Não atinei para a realidade, pois pensei que fora mais um sonho/pesadelo meu, aliás, nem sei o porque de estar escrevendo, pois trato isso que me ocorreu, a saber, uma verdadeira parte de um pesadelo. Não fiquei em cólera, mas de uma tristeza profunda que não quer cessar. Conhecia-o muito bem e desde o aparecimento do atípico, não aceitei, mas como não mantinha o contacto directo com ele, parecia-me menos perigoso do que os outros falavam. Isso tudo é narrado aqui, não como facto, mas como impulso, pois não tenho cabeça para dizer-lhes o que está acontecendo. Isso tudo deve ser mecanicamente escripto. Não compreendo decerto que se está se passando em minha cabeça, como não compreendo o que aconteceu e está acontecendo - digo, pois, o que está acontecendo é até o momento crucial onde a sua ''fisicalidade'' não mais envolverá-nos nesse plano terreno - e muitos me entendem. Até finalizar esse momento que corrói a alma, ficarei nessa ânsia ardente e grotesca em reflectir sobre o acontecido/acontecendo. Por instante eu posso dizer, ainda não compreendo o que está acontecendo toda vez que me refiro ao que está se passando, tenho um péssimo sentimento, oh.. quanta dor que se passa na vida daqueles que amam o ser humano e se vê numa situação onde a bifurcação da vida é concluída! Então foi-se para o caminho Vivo, o caminho do Todo-Poderoso, e espero vê-lo, quando chegar a minha hora, lá. Juntamente com Deus, com os anjos, e tantos outros Santos que foram em busca da paz e do amor pelo Senhor Deus. O que me resta para encerrar esse texto é dizer que o que ficou, principalmente a família e minha prima, saibam que estarei ao lado para qualquer auxílio. Ontem mesmo descobri o amor e hoje deparei-me com a morte. Amor e Morte. Ontem mesmo escrevi, num delinear de letras: Amor e Vida. Mas, sabe-se que a morte para muitos é a Vida eterna. O amor fluirá de forma única, num uníssono deleite.. Não há mais sofrimento.. O que há, agora, é a pura felicidade, muito embora a dor da partida. Posso, então, perceber que o poder de Deus agiu na vida dele. Que Deus o abençoe onde quer que ele esteja - pois não digo com rectidão onde ele está por ser coisas misteriosas, o destino do homem - mas penso que esteja no céu. Renata, minha prima, onde felicíssima está na foto, na nossa última viagem que aconteceu há cerca de uma semana, não fique triste. Por mais que seja doloroso manter esta realidade, de facto é muito mais doloroso viver nela. Faça o que puder e observe que há, por detrás de tudo isso, a força de Deus, agindo de forma perfeita. Onde a dor transporta-se em paz, e a morte não é morte, mas amor.Antes, muito antes de nossas pobres vontades, seja feita a vontade de Deus.Que Deus abençoe a família e à todos que amam àquele menino. Manoel Neto.
PS. Essa foto é minha e de Renata, minha prima, há cerca de uma semana atrás, na nossa última viagem... Espero ter outra dessa o mais breve possível contigo, Rê.Te amo e saiba que eu estarei ao seu lado sempre... não importa o que houver.. Farei com que fique confortável, independente dos contratempos.
beijos.
Muito antes do alvorecer, Deus já põe-nos em bom lugar.. Algo plenamente perfeito, não há como temer, temos todas as grandezas do Senhor. Deus abençoe de tamanha força que haja apenas luz em seu caminho( ao meu amigo).
Não ficarei triste
Sei que tudo é sublime
Pois Deus é Supremo
Sempre vencerei as dores
Sempre alcançarei as graças
Porque Deus é Tudo
Deus é a minha força
E a minha garra..
Para vencer,
Não precisarei de espadas
Nem lâminas afiadas
Basta o nome do Senhor
E sua habitação em minha vida
Oh.. vida bela
Sem Deus não existe ela.
Com Deus há vida eterna.
Amém e Assim Seja Ó Santo Sublime e Rei dos reis.
Saiba que nós te amamos.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Suffocare momemtaneu

O simples juízo que tenho agora, e que quero para mim mesmo é: Manter-me no silêncio da paz.
Eu sei que é difícil, agonizante e de tamanha grandiosidade, isso que está me perseguindo há bastante tempo e que não é uma luta apenas dele, mas de todos que sensibilizam-se ao ver um ser humano sofrer tamanha dor. Eu sei que muitos falam ser o que poderia estar predestinado, mas não entendo. Tenho a rústica ideologia de não entender à essa questão, pois, quereria apenas fazer amortecer essa dor que tanto surge em mim e ressurge nele.

Foram horas de apreensão, momentos que só eu pudera entender e conciliar na minha mente. Faria tudo e mais um pouco para esgotar qualquer interrupção de sua alegria, pois amo-o de tal forma que nem mesmo sei expor este sentimento. Viajo sempre, mas quando chego a nossa cidade, prontamente no mesmo dia vou de encontro. Não percebo o tempo passar quando eu estou a serviço do amor - principalmente quando chega-se a noite e permaneço como se fosse um familiar de tão forte aproximação - e sinto que meu dever é permanecer do lado onde gera o amor. Eis-me aqui, Senhor. Estou no momento único e inédito do ser humano.

Quem sabe se eu estou tocando na tessitura do amor? E é este o amor que surge e é verdadeiro! Claro... Por passar nos sentidos e muito antes disso.. Eu estou vendo, tocando, envolvido pelo profundo amor. É daí que nasce este tão estimado valor. Posso dizer que o que tenho em mãos - e está não são apenas mãos carnais, mas as próprias mãos do espírito, onde há de vir toda a concetração verdadeira de qualquer essência -, a beleza do amor natural. E reforço dizer que o amor não nasce de um relacionamento que possa trazer prazer.. mais muito antes do relacionamento que proporciona vida, resgate, felicidade, esperança.

Como se eu estivesse decompondo-se no vento que abranda meu semblante fustigado de tantas lutas, mas nunca cansado desses pequenas batalhas, muito embora sejam, elas, grande demais para o meu ser, mas não dou meu braço a torcer, pois o amor é muito mais forte e compreende de força inexprimível. Posso ver a minha frente o verdadeiro segredo do íntimo humano, algo que nunca fora revelado e que hoje posso manter o contacto espiritual. Descobri o amor, mesmo na aflição, desilusão, mesmo nos momentos tão dilaceradores que corrói meu coração de tristeza, posso achar a saída, posso achar a chave que abrirá todas as janelas, portas, vasculhantes e deixará brilhar a luz da salvação.

Quem sabe se eu falasse a ele tudo o que agora eu sei. Isso era substancialmente importante e incitaria-o a manter-se a admirar tamanho tesouro. Aliás, se fosse dividir este ''bem'', seria com ele, pois ele me fez descobrir e nada mais justo que dividir equitativamente com ele. Seria recto com ele, pois fora comigo. Por um instante me desprendi do mundo carnal e viajei léguas para outras dimensões. Aquilo que se passará com ele era momentâneo, nunca seria eterno. Levaria consigo a lição da vida, as falhas, os acertos, as visões, os prazeres. Isso era fantástico. Sua dor amortecera, não mais poderia doer, por ter encontrado juntamente comigo o nome total do amor. Isso se chamava vida, também. Amor e vida, Vida e amor.

Pulsante ligação interminável e insubstituível. Servir-nos-ia de antídoto, mas de uma forma singular e natural. Oh Deus, que seja feita a Tua vontade acima de tudo, mas ele precisa de nós e sempre estaremos ao seu lado, não importa onde estejamos. Isso não acabaria com o desterro, pois seria a partir daí que efetivamente ele se refugiaria em nós, e nós o acolheríamos. Sempre estaremos ao seu lado.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Infinitum.



Em se falando de amor, claro que deveríamos falar do beijo. Acho que é a primeira coisa que se faz, mesmo antes de passar a mão nos lugares proibidos, tirar a roupa, roçar corpo-a-corpo. Na verdade, tem-se que ter, primeiramente, uma selada de beijos ou como é comumente chamado de chupada.

Muito engraçado esse último termo, pois trata-se de um signo que tanto tem a mostrar-se. Beijar é ardente, cálido como algo que deteriora o ser, mas nesse caso, temos a bifurcação para dois itinerários. Um lado que beija e arde de prazer, trazendo amor, paz, unidade, não obstante doutro lado que delinea tanta raiva, rancor, infelicidade, traição. Uma palavra que serve de ápice para a contrapartida com relação ao beijo. Nesses termos temos que o beijo, muitas vezes, mas não todas, serve de traição, falsidade, dissimulação. Ninguém nunca pensa que aquele beijo na face, onde é perceptível até a fragrância do indivíduo que actua, é como um fator normalizado, um beijo natural.

Mas não, há, pois quem diga que o verdadeiro beijo é o não-beijar. Mas o sofrer. Isso seria, para mim, um pleonasmo com uma antítese? Não importa, pois o que mais importa é saber ponderar as situações. Se o beijo é forjado, não há como saber na íntegra, mas há como perceber por um fio infinitesimal, onde só o centro do ser humano, aquele que é chamado de âmago profundo, que poderá pressentir o que estar por detrás de tamanha façanha. Beijar nem sempre é bom.

Ás vezes até um beijo ''apaixonadamente quente'' onde um casal se cruza de uma forma que nem mesmo sabemos se é possível, poder-se-á ser um falso alarme, um não-beijo, e sim uma desilusão acompanhada de sofrimento. Temos ,por dever, que saber beijar não é amar. Que apenas sentir os lábios colados não significa gostar, mas algo totalmente supérfluo, carnal, que se tornará putrefacto um dia. Que saibamos como beijar, e que não caíamos em desvirtudes ao se entrelaçar de uma forma enfeitiçadora. Amar se restrige ao não descoberto, beijar é algo efêmero, talvez até um acidente.


O signo que não serve para ser dissimulado, não servirá para ser signo. O beijo é manifestação de afecto e traição. Quem sabe o beijo que você está esperando ansiosamente esta manhã/tarde/noite, não seja um beijo forjado, que te faz de cobaia, e até mesmo ansiado apenas pelo contacto carnal. E sua índole ficaria por debaixo de tantas coisas hediondas que nem seria capaz de voltar a pensar de uma forma lícita e trazer-te-ia um trauma por desilusão de amor, dependendo do grau que estaria. Ou este beijo que vocÊ está esperando, possa ser algo plenamente satisfactório, onde nem mesmo o tempo compreenderia a tamanha felicidade. Não seria mais uma felicidade clandestina, nem se o ininterrupto revés te considerasse alvo crítico, pois falaria mais alto o que você teria, simplesmente por ser genuíno. Não seria mais algo leviano, imprudente.

sábado, 7 de julho de 2007

Vitae nostrae

O mais singular de todas as coisas e mais propedêutico para a manifestação do verdadeiro caractér, é, indubitavelmente, a confiança em si mesmo. A confiança genuína nasce a partir do momento de crise constante e que com esta, consegue-se desvencilhar qualquer interrupção derivada dela. Decerto, é uma grande audácia com a energia que o ser humano se dispõe para vencer, destas duas concepções, temos a invariável e natural confiança. Embora seja de uma dificuldade peculiar, ter a certeza de alguma coisa, mas por outro lado temos a dubialidade das coisas onde possa ser, por confiança, a perspectiva do bom, não obstante tendo o ruim para ser acrescido em lugar do anterior, num jogo de tudo ou nada, sorte ou revés.
Muitas vezes temos a iniciativa de que tudo que podemos fazer talvez nos seja predestinado, e muito mais que isso, algumas vezes notamos a indecisão de muitas atitudes, pela mesma falta de confiança que temos em qualquer acepção que queremos. Mas isso não é o problema gerado e que com ele pode-se alterar as coisas, temos problemas maiores que são liberados através das atitudes totalmente impensáveis, mas digo impensáveis de uma forma totalmente inserida na atitude que várias vezes - e que sempre são com as falsas confianças, ou confianças incompletas a que chamo muitas vezes - tornam-se drasticamente situações adversas às que remontamos neste discursso e que é contrária a boa conduta de quem tem a confiança em si mesmo e nas suas atitudes.
Sem dúvidas a boa conduta que persisto neste texto é a da ligação directa, ou até conexão profunda com Deus, que para mim seria imprescindível, e nisto há a perfeita e harmonizante confiança em seus próprios passos, pois sem a fé, que é um fator crucial para a evolução do iminente, a decisão do que não há sentido, não haveria por motivos algum a plena confiança. Por meus amigos, animem-se de uma forma cheia, para que com a ligação com Deus e com suas próprias atitudes, seja conquistado a tamanha e reforçada confiança. Haverá abalos de contrapartida, mas nunca a perda daquilo que, com determinada confiança, se quer ser alcançado. ''Vista-se de verde com a esperança e dê um salto para o ar, talvez a sua confiança o faça flutuar.''
07-07-07
Caldas do Jorro - Bahia.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Cinzas do tempo.


Acordei tarde e naquele fluxo de pré-situado no espaço e tempo - coisa que nos acontece quando estamos em outros ambientes, e que, é comumente notório ao se deparar com o estranhamento, mesmo sendo aquilo, horas antes, já habitual - deixei-me levar pelo clima frio que me acordava juntamente com os passos da mulher. Era ela quem eu estava viajando, dócil, amiga, companheira. Preparei-me após um longo período estático, na cama. Com a cara imberbe, mas vendo o azulado comum, quando se apara a barba num dia anterior, fui-me adentrando ao banheiro onde liberei o que habitualmente fazia. Após entrei no choveiro um tanto quente e gostoso que me fez despertar. Troquei-me e desci para o café da manhã no hotel, ela já estava a minha espera, na porta do refeitório. Não tive pressa em nada, fazia tudo na maior tranquilidade e com muita voracidade, pois era-me um dia muito especial. Não tinha como definí-lo, pois era o dia da minha visita ao distrito de Sant'Anna.
Lá, deparar-me-ia com alguns velhos amigos, ao clima de velhos tempos. Mas antes de qualquer actividade expectada, teria, pois que comprar, ou auxiliar na compra de algumas coisas para a mulher, ela precisava e de tanto que gostava que fez-me inexoralvemente e independente de qualquer coisa, não hesitar em fazer o que lhe era programado. Nunca quis fazer compras com mulheres, acho isso coisa para mulheres apenas, e quando um homem deve - por obrigação do destino - fazer compras, dever-se-ia fazer sozinho, pois é mais conveniente para ele. Pus-me no carro, após a alimentação que tipicamente me faltava e seguimos rumo ao destino esperado. A estrada não foi muito árdua conosco, colocamos uns CDs, à medida que finalizava um, pois era grosseiro e para entardecer àquele lugar. Ao chegarmos no rumo, já eram meio-dia, e a hora de almoçar. No caminho nada houve de extrarordinário, pois foi numa traqüilidade, apesar de um ''quebra'mola'' que passei com agressividade, pois não o vira. Quando chegamos, fomos logo para um belo restaurante onde normalmente comia quando vinha para rever os amigos. Comemos e nos preparamos - pelo menos eu - para a grande caminhada onde possivelmente me cansaria, de tanto trabalho que seria seguir a mulher. Lojas e mais lojas, rostos e mais rostos me apareciam, provadores, etiquetas. Fiquei absorto naquelas pequenas coisas, não queria nada para mim pois era até desagradável, depois de tanto esperar a mulher numa das primeiras lojas femininas, e até porque nada era interessante para mim. Fiquei a olhar, cada segundo que os compradores invadiam o íntimo da pessoa - dizendo até se por um acaso o cliente fosse para uma festa de certo espécime, usar a roupa apropriada, mas eles falavam num tom insolente de pergunta, como se fosse grandes amigos dos clientes para saber sua vida social - era absurdamente anti-ético aquela posição.
E sem falar nos muitos que iludiam os clientes com tantas fantasias, dizendo até para alguns, que estavam magros e lhe cabiam perfeitamente, muito embora fosse uma tremenda mancada e dissimuladas conversas. Fiquei indignado com tamanha audácia que via naquelas lojas no meio da rua que senti receio de comprar mais alguma coisa, e se fosse comprar, seria sem a presença daqueles falsos conselheiros. Eles queriam era vender, fazer um capitalismo selvagem que apropriava-se do cliente como se quisesse manipulá-lo falando em moda, design e tantos atributos que estão impregnando-se cada segundo na cultura de cada povo. Era-me ensurdecedor aquelas vozes, sussurros, mentiras! Não me era agradável mais andar pelas ruas e ver aqueles lobos-homens, lobas-mulheres.
Fiquei quieto, despenquei numa loja e lá sentei-me. Restava-se esperar, esperar passar aquela dor, agonia. Não sabia dizer o que sentia, e nem me entendia. Pensei até que eles que me enfeitiçaram de uma forma para que não tivesse meu diritto a fala. Respirei, levitei. Era tarde e passavam das três horas. Estava na hora de visitar meus amigos. A vida na cidade grande e com regalias me impedia de raciocinar de forma adequada, pensei tanto que cheguei a conclusão, mesmo sendo um grande psicólogo: Oh, como eu não conhecia o homem, nem o mundo em que vivia!

Caldas do Jorro - BA

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Perene.

Para todo caso de descaso, temos a livre e adocicada solução. Não me foi fácil chegar ao lugar onde regozijo hodiernamente, precisamente, neste extático tempo que delinea nas palavras (ponto) . Acordei-me com os olhos grudados de remela. Foi o momento inicial de uma longa jornada de muitos campos e matas, onde cortei, mas não no sentido literal, lato sensu, da palavra. Cortei-os pelas estradas secas e molhadas, gélido e latente.. o caminho fez-me flutuar de forma única, para a lua, onde por milhares de vezes que estive sobre o intinerário, assomava-se volumosas crateras extra-terrenas - isso pelo desvio exacerbado e esbaforido, num tom dissimulado pelos ''donos do chão'' que iludem a cada dia aos nossos cidadãos. Os animais - quão saudosos eram-me aqueles tempos onde ao transitar com meus pais para a cidade grande, percebia a variedade, de até o símbolo do meu lugar, e encontrava tantos animais que substancialmente me fazia fantasias.. deixava-me solto, livre, sem contacto com a impressão maliciosa nem vulgar que o mundo oferece hoje em dia. Voltando ao meu caminho, percebi que poucos animais apareciam no céu, ora escuro, ora claro pelas alterações constantes do clima que insistia em deploravelmente oferecer o que lhe fora oferecido. Chegando ao lugar onde eu estou agora - que me foi árduo até chegar aqui, deixando-me preso ao próprio formato do assento e do encosto do carro - consegui, pelo menos, a minha mais graciosa recompensa. Ao deixar as coisas no hotel, onde costumo com frequência permanecer, fui logo dando uma vista geral na cidade, com meus pés que tanto pediam para movimentar-se. O triunfante e prêmio meu, estava me esperando em plena praça. Sem ninguém para empertigar, num momento que só mesmo a oportunidade me concedera. Andei, vaguei, revivi. Troquei olhares, mudei o andar, tentei alterar as coisas, sair da rotina. Isso era bom.. até o jeito de olhar eu troquei.. Isso me fazia feliz. Ao chegar finalmente na praça, tirei minha roupa, deixando apenas o traje de banho. Era o próprio jorro que me enfetiçava de frente para mim, que me trazia tantas lembranças afáveis. Senti-me entregue àquele clima tão cálido e com um olhar audácioso, tentando me desacatar ou até mesmo fazendo uma aposta para ver se eu aguentaria, aquele manancial quente, com cerca de quarenta e oito graus revestido, como uma dama-princesa nas jóias reluzentes e fortes, com o teor puro do sulfúrico e de tantos caracteres mineirais e ademais dos quais nem sabia, foi-me envolvendo a cada ponto, a cada micro-gotícula que escoava daquela voraz imensidão de água. O cheiro me deixava ébrio, mesmo não em contacto corpo-a-corpo com tudo. Fiquei pensando, reflectindo.. era um momento de puro êxtase. Era algo que chegava equiparável com a minha inebriante sensação de pleno deleite, regozijo. Tomei a coragem perfeita de um cavaleiro em guerra. Via-se a rarefez do vapor que transbordava os limites daquela enxurrada. Ao tocar-me, fui cedendo, revivendo, tornando-se inúmeras etapas da minha vida. Como se aquilo retrocedesse cada momento vivido no mesmo lugar, na mesma freqüência e vibração. Senti-me aliviado com tudo aquilo. Era saudade do mais secreto de cada um ser humano, saudade do que era necessário, e que tempo antes, ou vezes antes, era bemvindo. Relaxei de uma forma tão total quão todas as outras. Sentia-me completo. Mais uma vez completo.

Caldas do Jorro - 19 de Junho de 2007.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Será possível ter o arbítrio?

Hoje, estava eu lendo um jornal - que não é importante ser mencionado - e, vi que havia um pequeno conto. Comecei a lê-lo. Não havia nada de mais para fazer, além de ler aquele jornal naquele frio de inverno-quente. O conto iniciava-se com a melodramática fazendo uma menção ironica ao amor:
'' É de tanto amor que conseguimos descobrir que não existe amor. Eram um casal. Ele estava, decerto, meio desabituado com a vida bucólica da garota. Não havia reciprocidade com relação ao empenho que eles tinham para com o outro. Se um fazia um demasia, o outro era o retrocesso do que havia sido efetivamente feito. Não havia a distinção de gênero, sabe-se lá quem fazia mais coisas absurdas. Um colocou a mão na mão da outra, certa vez, e com o desvencilhar da mesma, fez com que uma briga se formasse. Era sufocante por ambas as partes quem trazia o amor. Ninguém sabia quem tinha para dar, a qual hora. Se um tinha de facto o amor latente no peito, o outro era o contrário, o revés.. Lágrimas eram risos.. pois até as lágrimas não entendiam a que horas era susceptível a manifestar-se. Era uma balbúrdia a longa e complexa forma. Não havia uma estabilidade. Brigas era totalmente típica e usual.. ''
Ao ler isso, fiquei totalmente intrigado. Fiquei pensando, tentando maquinar aquela trépida história. Lembrei-me instantaneamente de factos ocorridos comigo.. Tive um amor, que aliás, não era amor, era apenas uma paixão de verão.. Fiquei a observar.. olhei até o tiquetaquear do relógio.. e vi que de facto era mesmo a história que se assemelhava - ou quase - à minha.. Eu amava tanto, mas era impedido de mostrar o amor até a minha própria sombra. Era uma monstruosidade.. Não havia, mais em mim, a personalidade formada e peculiar que eu tinha. Tudo estava sendo sumcubido pela feroz e atroz posição daquela paixão de verão que detinha com que eu não propagasse àquele amor que eu sentia.. pelo menos aos mais chegados.. fui ficando ébrio, mas de uma tonicidade defeituosa, pois não me era mais a pessoa formalizada em mim, mas um espectro que me fazia seguir, numa forma retilínea, era cego.. usava um cabresto, mas tudo por amor, e ainda, o que mais se assemelhara ao do texto, era que tudo era divergente entre nós. Até a aproximação era numa freqüência freando a cada passo dado. Parecia que o medo era o amor. Então concluiu-se que o amor era o medo. Medo de ser autêntico, de ser persona própria para algumas coisas..ou para todas.. Se aquilo fosse o eixo central...

Quem sou eu

Minha foto
Nasci em Recife, mas logo fui morar na cidade da Vitória de Santo Antão. Hoje, aqui, sinto que é uma particularidade íntima. Esse meu viver, minhas afinidades com essa cidade, transporta-me a outros mundos.''Sou a fusão do adulto maduro e o menino tenro''. ''Cogito ergo sum'' Escrevo desde os 16 anos e descobri na escrita um pedaço de mim, uma ânsia ardente e gostosa. Não reviso meus textos. Escrevo contos, romances, novelas etc.