quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A descoberta.

Quando acordei, pensei no mesmo instante o que se assomaria para mim, no decorrer da vida que eu levaria pelo hoje. Sabemos que mesmo antes de abrir os olhos, temos uma gama de coisas a fazer durante um dia tão ensolarado ou nublado e quem sabe chuvoso, mas o que importa mesmo é a disposição de fazer as coisas. Quando meus olhos encontraram o mundo, permiti, assim, que fosse predestinado o meu novo ofício. Um ofício diferentemente de todos e de tudo, e mesmo se fosse para o que rotineiramente eu compreendia, aí seria diferente também. Falei com o ser Supremo à respeito da bênção que me foi dada naquele momento - e acho importante agradecer a cada manhã. Um dia temos tudo, noutro nada temos e o temor se assola para quem não é destemido, para quem não tem ninguém - pois acho que sem Deus, o indivíduo não tem ninguém. O cheiro da madeira rústica era emanado perto do meu recinto, do meu refúgio. Era os móveis antigos que cercavam-me dando uma impressão de um passado longíquo que se fazia presente em minha vida pelos meus anseios. Eu adorava e tinha um certa afinidade pelo antiquário. E isso era mais um processo de reforço para eu me levantar e caminhar para o meu novo dia, para meu novo ofício. Normalmente sentimos que o levantar de uma cama torna-se mais uma questão mecânica e sem sentido. É usual falarmos nisso, pois o ato de levantar-se se destina a algo meramente dogmático, não há momentos de perquirir a cerca do levantar. Tem-se que fazê-lo e acabou-se. Dessa maneira, levantei-me e fui logo ao banheiro, onde era o meu segundo refúgio de cada alvorecer. O sono ainda dominava, por ser cedo demais, temos a mania de não se acostumar com o frio do último relente, o relento que se dissipa com o próprio alvorecer. No meu segundo recinto fiz as necessidades diária e mundanas e comecei a pensar no que eu iria vestir para o dia que estava chegando e que eu deveria ter um certo caminho já traçado. A água era quente e dava um amortecimento instantâneo na alma - e de pensar que ás vezes penso que a alma está carnalmente incrustrada na própria tessitura da vida e interligada com o corpóreo. O banho me incentivou a pensar e foi neste pensamento que descobri...

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Quem sou eu

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Nasci em Recife, mas logo fui morar na cidade da Vitória de Santo Antão. Hoje, aqui, sinto que é uma particularidade íntima. Esse meu viver, minhas afinidades com essa cidade, transporta-me a outros mundos.''Sou a fusão do adulto maduro e o menino tenro''. ''Cogito ergo sum'' Escrevo desde os 16 anos e descobri na escrita um pedaço de mim, uma ânsia ardente e gostosa. Não reviso meus textos. Escrevo contos, romances, novelas etc.